#Crítica – Música e Colaboração, de Bruno Angelo

Bruno Angelo, colega compositor e pensador, escreveu um texto extremamente reflexivo e intrigante. De forma que repasso e acrescento “lenha à fogueira”:

Existem compositores cujas sombras ainda se fazem presentes, e mantém vivos certos pensamentos que precisam ser renovados. E estamos num período em que a inovação barata e rasa parece obter espaços que não merece, e as novidades que emergem como uma lufada fresca acabam por se esvair em esforços.

O tal discurso politicamente correcto de não criticar de forma mais clara, aberta e construtiva o que ouvimos, o “pôr panos quentes” nas discussões, acaba com o desenvolvimento profícuo da música. É preciso mais da crítica, melhor, diálogo tão benéfico (que o Bruno aponta no texto como o resultado de um encontro sobre música nova) e menos sorrisos amarelos e apertos de mãos leves de quem no fundo não quer participar do embate estético, filosófico e criativo.

Por isso, ao invés de participar e comentar e fomentar, o público decide se ausentar. Um movimento que mais trava o crescimento e força com que os directores se detenham nos velhos e batidos repertórios.

Mas claro, o temor de renovar repertórios é gigante: como ter certeza do resultado de uma obra nunca ouvida antes e arriscar perder o público? Melhor deter-se com quem, sabem eles, mantém a mesma e monótona cena. Como o tal malabarista, que parece sofrer com suas 7 bolas, esgotando a paciência e a calma.

epopeiafantastica

… o malabarista entra no palco e começa a brincar com três bolinhas. Joga-as para o alto, alternadamente, com mais ou menos força, e, apesar de sua evidente habilidade em fazer isso, não chega a impressionar sua plateia. Mas quando insere mais uma bolinha no jogo, a coisa começa a mudar de figura, pois quatro já não é pra qualquer um. Ele agora não só as atira para o alto, como também as prende ocasionalmente no pescoço, apoiando alguma no ombro ou sobre a nuca, enquanto as outras seguem sua dança pelo ar. Cinco, e já o público se acomoda e se inclina para ver mais de perto e tentar acompanhar a trajetória de tantas bolinhas. Mas vão seis, e depois vão sete, e de repente o que era fluido perde um pouco seu encanto, pois percebe-se evidentemente que o malabarista já não está mais brincando: ele apenas tenta manter-se…

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